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Saúde e Doença Mental

A nossa mente não é uma entidade separada do resto de nós. Quando estamos desestruturados, a nossa saúde física também é afetada. Muitas condições físicas são, na realidade, enraizadas em uma aflição psíquica, ou em uma história de estresse que nunca foi cuidada. Nossas relações pessoais e de trabalho, e nossas habilidades são afetadas por ambas as questões de saúde física e mental.

No entanto, a boa notícia é que a maioria das pessoas que experiencia problemas de saúde mental e emocional pode administrar ou superar esses problemas e com tratamento, viver uma vida plena.

Problemas de saúde mental e emocional:

Um problema de saúde mental ou emocional pode ser de curto prazo, como uma reação a um estressor (como uma perda, doloroso acontecimento, doença, medicação, etc.). Se a situação não se reduzir ou se os sintomas de angústia estão interferindo com outros aspectos da vida, a assistência de um profissional de saúde mental pode ser necessária. Geralmente, não se pensa duas vezes em procurar ajuda para evitar um problema físico (como no caso de ter quebrado um osso procuramos por um ortopedista, ou diante de uma cárie, procuramos um dentista). Mas algumas pessoas acreditam que é vergonhoso procurar ajuda para um problema de saúde emocional, ou pensam que um problema emocional significa que você está "louco". (Leia mais sobre os stigma das doenças mentais)

Em muitas situações, quanto mais cedo se pedir ajuda, menores serão as dificuldades com o problema.

Tal como acontece com condições médicas, como a doença cardíaca ou diabetes, existem alguns problemas de saúde mental (tais como depressão maior, esquizofrenia ou transtorno bipolar), que tendem a correr em famílias – seja em função da genética ou do estilo de interação familiar.

A maioria das pessoas que tem problemas de saúde mental pode superá-los ou aprender a viver com eles, especialmente se procurar ajuda na hora certa, e não esperar o problema se agravar.

O que é a doença mental?

No passado, o tema da doença mental foi cercado de mistério e medo. Hoje, nós temos feito enormes progressos na nossa compreensão e, sobretudo, em nossa capacidade de oferta de tratamentos eficazes. No entanto, dúvidas sobre as doenças mentais não respondidas, muitas vezes impedem que as pessoas procurem ajuda.

Não existe uma definição precisa de "doença mental", e de muitas formas, o termo é enganador. Há muita sobreposição entre transtornos mentais e físicos, e é comum que se tenha uma interação entre elementos de ambos. Em geral, pode afirmar-se que uma doença mental é uma condição que impacta de forma adversa os processos individuais de pensamento, as emoções, comportamentos e / ou interações com outras pessoas, e interfere negativamente com a sua capacidade de gerir eficazmente a vida.

De acordo com a NAMI (Aliança Nacional de Doenças Mentais americana):

- Doenças mentais são distúrbios graves que causam alterações biológicas no cérebro e são debilitantes em diferentes graus.

- Os sintomas de doenças mentais tipicamente começam a aparecer na adolescência ou idade adulta jovem. Doença mental atinge cerca de 5% dos adultos e 9% das crianças e dos adolescentes nos Estados Unidos.

- Há muitos equívocos a respeito das doenças mentais. Isto infelizmente contribui para o fato de que muitas pessoas não procuram tratamento.

- Não tratada, a doença mental pode resultar em desemprego, abuso de substâncias psicoativas, deterioramento das relações interpessoais, e nos casos mais graves encarceramento e suicídio.

- A fim de conquistar o estigma da doença mental, é importante compreender que essas condições não estão relacionadas com o caráter, inteligência, ou vontade.

- Doenças mentais são doenças como quaisquer outras, e com intervenções modernas, são altamente tratáveis.

Quão comuns são as doenças mentais e quais são os impactos sobre a sociedade?

Doença mentais são comuns, e as condições mais leves são muito comuns. Levantamentos epidemiológicos apontam para o fato de que “em torno de 31 a 50 % da população brasileira apresenta durante a vida pelo menos um episódio de algum transtorno mental e cerca de 20 a 40% da população necessita, por conta desses transtornos, de algum tipo de ajuda profissional.” (Almeida Filho e cls.,1997) As doenças mentais graves e persistentes são menos comuns, mas ainda afligem três por cento da população.

A grande maioria das pessoas com transtornos mentais continuam a funcionar no seu cotidiano, embora com diferentes dificuldades. Em muitos casos, os custos dos cuidados médicos são enormemente aumentados pelos custos associados a síndromes psiquiátricas não diagnosticadas.

Causas e fatores de risco das doenças mentais:

Problemas de saúde mental podem ser o resultado de diferentes tipos de experiências na vida de uma pessoa, desde eventos que ocorreram na primeira infância à idade mais avançada. Uma série de causas geralmente tem de ser considerada.

As causas exatas dos transtornos mentais são desconhecidas, mas um crescimento explosivo da investigação trouxe-nos mais perto das respostas. Podemos dizer que determinadas disposições herdadas interagem com fatores ambientais desencadeantes. É um fato conhecido que fatores como o estresse fazem mal a sua saúde - isto é verdade tanto para a saúde mental quanto para a saúde física. Na verdade, a distinção entre doença "mental" e doença "física" pode ser enganosa. Tal como doenças físicas, transtornos mentais podem ter uma natureza biológica. Muitas doenças físicas também podem ter um forte componente emocional.

As pessoas que sofrem de doenças mentais são violentas?

Há um preconceito equivocado de que as pessoas com doenças mentais são violentas, o que contribui para o estigma da doença mental. A grande maioria das pessoas com doença mental não são violentas, e a maioria dos atos violentos são realizados por pessoas que não são doentes mentais. Eles são mais susceptíveis de serem vítimas da violência do que seus autores, e mais susceptíveis de prejudicar a si mesmos do que de ferir outras pessoas.

Qual o tratamento indicado para as doenças mentais?

Tratamentos de ponta para as doenças mentais são muito eficazes - tão eficazes como tratamentos para a hipertensão arterial, câncer e artrite. Mas um bom tratamento para a doença mental (como o tratamento de úlceras ou de tratamento para doenças cardíacas) tem uma abordagem abrangente. A medicação não é o único tratamento, embora excelente novas medicações psiquiátricas tenham sido desenvolvidas nos últimos anos.

Pesquisas cientificas já apontaram para o fato de que o tratamento mais eficaz é o tratamento multidisciplinar que abrange uma completa avaliação da saúde mental e física e um plano de tratamento individualizado, que pode incluir psicoterapia, medicação, ou outras modalidades.

Neste processo os psicólogos ajudam os pacientes a compreenderem as doenças e entender o que eles podem fazer para resolver problemas da vida que contribuem para as mesmas. Isto pode envolver questões sobre o trabalho, a escola, a família e a comunidade.

Qual a diferença entre doença mental e deficiência mental?

Na Deficiência Mental, a área mais afetada é a inteligência, estamos perante uma insuficiência/incapacidade a nível mental, apresentando um funcionamento intelectual abaixo da média. A aptidão normal de compreensão, raciocínio e planejamento encontram-se afetadas. Surgem limitações pelo menos em dois aspectos do funcionamento adaptativo como: comunicação, cuidados pessoais, habilidades sociais, autonomia, saúde e segurança, entre outras, sendo esta, normalmente diagnosticada na 1ª infância e idade escolar. Nestes casos, a percepção de si mesmo e da realidade não se encontram alteradas como na doença mental.

Doenças mentais afetam o desempenho dos indivíduos, pois prejudicam, primariamente, outras áreas do funcionamento, que não a inteligência, como, por exemplo, a capacidade de concentração, o humor, o pensamento, os comportamentos e o bom senso.